Reportagem: Caroline Mazzonetto
Nesta segunda (23/2), os municípios de Sabará (MG), Congonhas (MG), Maracanaú (CE) e Simão Dias (SE) começam a vacinar sua população contra a chikungunya. A iniciativa faz parte de uma estratégia piloto realizada com o apoio do Ministério da Saúde e que utiliza o imunizante produzido pelo Instituto Butantan em parceria com a farmacêutica franco-austríaca Valneva. A campanha é gratuita e a vacinação é realizada nos postos de saúde municipais.
Poderão se vacinar pessoas de 18 a 59 anos que sejam moradoras das cidades participantes da estratégia e que atendam aos seguintes critérios: não ser gestante e/ou lactante; não possuir imunodeficiências ou imunossupressão; não estar fazendo quimioterapia ou radioterapia, nem ter feito transplante; não possuir comorbidades mal controladas, ou mais de uma comorbidade, entre outros.
As principais reações adversas que podem ocorrer após a aplicação da vacina são dor de cabeça, enjoo, cansaço, dor muscular, dor nas articulações, febre e reações no local da injeção (sensibilidade, dor, vermelhidão, endurecimento, inchaço).
Durante e após a estratégia, o Instituto Butantan vai monitorar os casos positivos e negativos de chikungunya que ocorrerem nos municípios participantes, a fim de avaliar a efetividade do imunizante no mundo real. Também serão realizados estudos com o objetivo de monitorar a segurança da vacina a longo prazo.
Segundo dados do Painel de Monitoramento de Arboviroses do Ministério da Saúde, entre 2024 e 2025 Sabará contabilizou 590 casos de chikungunya; Congonhas registrou 73 casos; Maracanaú teve 18 casos; e Simão Dias, 30 casos.
Essa é a segunda etapa da estratégia vacinal, que foi iniciada em Mirassol (SP), em 2/2. Além dos cinco municípios já divulgados, o piloto incluirá outras cinco cidades de Sergipe, Ceará e Minas Gerais. Os territórios envolvidos foram selecionados a partir de um estudo epidemiológico, que utilizou um modelo matemático para predizer as regiões com maior risco de apresentar surtos de chikungunya entre 2025 e 2027.
A chikungunya é uma doença viral transmitida pela picada do mosquito Aedes aegypti, o mesmo vetor da dengue e da Zika. Ela pode ser assintomática, ou causar reações como febre alta (39-40°C), dor intensa e inchaço nas articulações, dor de cabeça e manchas vermelhas pelo corpo. A dor crônica nas articulações é sua principal sequela, e pode perdurar por meses ou anos. Em pessoas que possuem outras comorbidades, como hipertensão, diabetes, doenças do coração ou do rim, a chikungunya pode gerar quadros clínicos mais graves, descompensando as enfermidades pré-existentes e podendo levar a óbito.
A vacina do Butantan é a primeira do mundo a ser disponibilizada para prevenir a doença. Aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em abril de 2025, ela teve sua segurança e capacidade de gerar anticorpos comprovadas em estudos clínicos feitos nos Estados Unidos e publicados na revista científica The Lancet. Dos 4 mil voluntários adultos que participaram da pesquisa, 98,9% produziram anticorpos neutralizantes. Além do Brasil, o produto já foi aprovado para uso no Canadá, Reino Unido e Europa.



