“O caso da XE foi encontrado na cidade de São Paulo em uma pessoa que não viajou, o que sugere que essa variante já está em circulação. Até porque já foi descartado que não se trata de um caso de coinfecção ou de contaminação, mas sim de uma variante recombinante”, afirma a vice-diretora do Centro de Desenvolvimento Científico do Butantan, Maria Carolina Sabbaga, responsável pelo sequenciamento genômico da Rede de Alerta das Variantes.
“Ela já deve estar circulando, mas ainda não sabemos em qual proporção, o que vamos saber nas próximas semanas se novos casos aparecerem na Rede de Alerta. Por outro lado, há algumas variantes recombinantes que simplesmente desaparecem. Não sabemos se é este o caso da XE porque o número de casos está aumentando no Reino Unido”, ressalta a vice-diretora do CDC.
Circulação da variante
O infectado se trata de um homem de 39 anos, morador de São Paulo, com esquema vacinal completo. O exame de PCR foi feito em 7 de março, e o homem apresentou sintomas leves e realizou tratamento e isolamento domiciliar. Ele permanece sob monitoramento das vigilâncias estadual e municipal de São Paulo.
Segundo Maria Carolina, a XE encontrada em São Paulo se assemelha à variante do Reino Unido, o que sugere que pode ter sido importada da Europa. O caso foi identificado pela rede de alerta do Butantan na cidade de São Paulo na 10ª semana epidemiológica de 2022.
Sobre a variante XE
A variante recombinante XE é uma combinação das variantes BA.1 e BA.2, duas linhagens da cepa ômicron. Segundo boletim epidemiológico da Organização Mundial da Saúde, a XE teria uma capacidade 10% maior de transmissibilidade comparada à linhagem BA.2 da ômicron. Mas, até o momento, não foi confirmado maior impacto na imunidade e severidade.
Ela foi descoberta primeiramente no Reino Unido, onde foram notificados mais de 600 casos de 19 de janeiro, quando a variante foi identificada em Londres, até 29 de março, segundo a Agência de Saúde do Reino Unido (UKHSA, na sigla em inglês).
A XE ainda não foi categorizada pela Organização Mundial da Saúde, diferente da variante recombinante deltacron, cujo nome oficial é XD, que atualmente é considerada uma variante em monitoramento (VUM, na sigla em inglês). Mas isso pode mudar conforme ela se espalhe.
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