Reportagem e fotos: Comunicação Butantan
A partir desta quarta (25/3), toda a população de 18 a 59 anos dos municípios de Santa Luzia e Sete Lagoas, em Minas Gerais, e Lagarto, em Sergipe, já pode se dirigir aos postos de saúde para receber gratuitamente a vacina contra a chikungunya, desenvolvida pelo Instituto Butantan em parceria com a farmacêutica franco-austríaca Valneva. A campanha faz parte da estratégia piloto de vacinação contra a chikungunya, realizada em parceria com o Ministério da Saúde em municípios que registram grande incidência da doença.
Somados, Santa Luzia, Sete Lagoas e Lagarto registraram cerca de 22,3 mil casos de chikungunya entre 2024 e 2025, conforme dados do Painel de Monitoramento de Arboviroses do Ministério da Saúde. Em Sete Lagoas, também houve 19 mortes no mesmo período. Já em relação ao país todo, somente em 2025 foram registrados 129.123 casos e 121 óbitos causados pela doença.
A seleção das regiões participantes da estratégia piloto se deu a partir de um estudo epidemiológico, que utilizou um modelo matemático para predizer as regiões com maior risco de apresentar surtos de chikungunya entre 2025 e 2027. Além dos três municípios que iniciam agora a vacinação, já começaram a imunizar suas populações Mirassol (SP), Sabará (MG), Congonhas (MG), Simão Dias (SE) e Barra dos Coqueiros (SE).

Podem se vacinar homens e mulheres residentes de Santa Luzia, Sete Lagoas e Lagarto, que tenham entre 18 e 59 anos, e não possuam nenhuma das seguintes contraindicações: ser gestante e/ou lactante; ter reação alérgica a qualquer um dos componentes da vacina; fazer uso de medicamentos imunossupressores; ter imunodeficiência congênita; estar em tratamento com quimioterapia ou radioterapia; ser transplantado de órgão sólido ou de medula óssea há menos de 2 anos; ter alguma doença autoimune; ter uma condição médica mal controlada ou duas ou mais condições médicas crônicas (comorbidades).
A vacina contra a chikungunya do Butantan e da Valneva foi a primeira do mundo a ser aprovada contra a doença. Ela foi avaliada nos Estados Unidos em 4 mil voluntários de 18 a 65 anos, tendo apresentado um bom perfil de segurança e alta imunogenicidade: 98,9% dos participantes do ensaio clínico produziram anticorpos neutralizantes, com níveis que se mantiveram robustos por ao menos seis meses. Os resultados foram publicados na revista científica The Lancet em junho de 2023.
O imunizante foi aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em abril de 2025, e também tem uso autorizado no Canadá, Reino Unido e Europa.

A chikungunya é uma doença viral transmitida pela picada do mosquito Aedes aegypti, o mesmo vetor da dengue e da Zika. Ela pode ser assintomática, ou causar reações como febre alta (39-40°C), dor intensa e inchaço nas articulações, dor de cabeça e manchas vermelhas pelo corpo. A dor crônica nas articulações é sua principal sequela, e pode perdurar por meses ou anos. Em pessoas que possuem outras comorbidades, como hipertensão, diabetes, doenças do coração ou do rim, a chikungunya pode gerar quadros clínicos mais graves, descompensando as enfermidades pré-existentes e podendo levar a óbito.



