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Resultados da ButanVac na Tailândia atestam imunogenicidade e segurança da vacina

Imunizante produziu níveis elevados de anticorpos; estudo clínico de fase 1 foi publicado em revista de alto impacto


Publicado em: 16/03/2022

O ensaio clínico de fase 1 da ButanVac na Tailândia, conduzido pela Universidade Mahidol de Bancoc e publicado na revista científica eClinicalMedicine da The Lancet, demonstrou que a vacina é segura e gera alta resposta imune. A nova publicação reforçou os resultados divulgados anteriormente em formato preprint na plataforma MedRXiv. O imunizante também está sendo testado no Brasil, no Vietnã e no México.

Participaram do estudo 210 indivíduos entre 18 e 59 anos, que foram divididos em grupos e receberam o imunizante na dosagem de 1 µg, 1 µg mais adjuvante (substância que intensifica a ação da vacina), 3 µg, 3 µg mais adjuvante e 10 µg, além de um grupo controle que recebeu placebo.

A segunda dose da ButanVac, administrada 28 dias após a primeira, induziu a produção de altos títulos de anticorpos IgG, variando de 151,78 BAU/mL (1 µg) a 479,83 BAU/mL (10 µg). Os anticorpos neutralizantes ficaram entre 122,23 UI/mL (1 µg) e 474,35 UI/mL (10 µ).

Outro resultado do estudo é que a vacina é segura e não causou eventos adversos graves – a maioria das reações foi leve, sendo que as mais comuns foram dor no local da injeção, fadiga e dor de cabeça. “Ao longo de 28 dias após cada dose de vacina, todas as formulações foram muito bem toleradas com pouca reatogenicidade”, dizem os autores do estudo.

A eficácia da ButanVac contra as variantes do SARS-CoV-2 também foi avaliada. A dosagem de 3 µg produziu anticorpos neutralizantes contra a delta, a gama e a beta. O imunizante também induziu células T de memória com capacidade de resposta antiviral. De acordo com o estudo, as formulações de 3 µg e 3 µg com adjuvante avançaram para a fase 2 do ensaio clínico.

No artigo, os pesquisadores afirmam que a capacidade de produção anual de vacinas não pode atender o mundo todo e que a distribuição de imunizantes é desigual, reforçando a necessidade de mais opções, especialmente para países de baixa e média renda. “A produção local de vacinas contra Covid-19 compatível com armazenamento prolongado de 2°C a 8°C nesses países aumentaria a disponibilidade global e reduziria a dependência do fornecimento internacional de vacinas”, destacam.

 

Testes clínicos em outros países

Resultados do México