Você no Butantan: Denise Maria Candido

A convidada desta edição do Você no Butantan é especialista em identificar escorpiões. A bióloga Denise Maria Candido, 54, começou a trabalhar no IB nos anos 80, como estagiária voluntária, ainda no terceiro ano da faculdade. Hoje já acumula 33 anos de experiência.

Em conversa com o Butantan Notícias, ela falou um pouco sobre seu amor pelos animais, sobre seu hobby de colorir mandalas e sobre a experiência de ter sofrido uma picada de escorpião em 2017. Confira a entrevista! 

Butantan Notícias – Há quanto tempo você trabalha no Butantan?

Denise Maria Candido – Eu entrei no IB em 1986, estava no terceiro ano da faculdade. Procurei o Butantan para fazer estágio voluntário e descobrir qual caminho da biologia eu gostaria de seguir. Entrei direto no Laboratório de Artrópodes e há 33 anos trabalho com os escorpiões.

 

BN – E a partir daí, como foi sua trajetória no Butantan?

Denise - Eu fiz dois anos de estágio voluntário até me formar em 88. Em 89, fiz o Pap (Programa de Aprimoramento Profissional), que na época era Fundap (Fundação do Desenvolvimento Administrativo). Logo em seguida, demos início aos projetos de criação de escorpião. Em 1993, eu fiz um curso para assistente técnico de laboratório, foi quando entrei na área e não sai mais. Desde então, trabalho com os escorpiões. No meu estágio, eu já fazia a identificação e criação dos escorpiões. A extração de veneno, eu passei a fazer anos depois, mas já sabia como criá-los.

 

BN - E com tanto conhecimento e experiência em escorpiões, você também ministra cursos? Afinal, tivemos um grande aumento dos acidentes neste último ano e os próprios profissionais de saúde têm muitas dúvidas sobre escorpiões, não é?

Denise - Atualmente, eu dou cursos e treinamentos também. Em 2008, fui convidada pela doutora Fan para participar do Programa de Controle de Escorpiões, do Ministério da Saúde. Este treinamento acontece desde 2009 até hoje e nele eu sigo há 10 anos dando aula teórica e prática, de Biologia e Identificação de Escorpiões.

 

BN– Para você, como é poder compartilhar sua experiência com os escorpiões com os técnicos e com a população?

Denise - É uma satisfação enorme. Eu amo ensinar minhas técnicas às pessoas e fico mais feliz ainda em vê-las aprendendo. Sei que são técnicas que facilitam na identificação do animal para o controle.

 

BN – Como é a sua rotina de trabalho no dia a dia?

Denise – No momento, eu estou bastante focada em preparar cursos e aulas com base naquilo que temos de experiência aqui. Estamos trabalhando em cursos que são voltados para agentes de saúde, técnicos, pessoas de formação superior, mas também para a população de modo geral. A demanda de treinamentos é grande. Além disso, continuo fazendo extrações de [veneno de] escorpiões e aranhas armadeiras. Também realizo o controle total das salas de escorpiões, então sei quantos bichos temos, quantos viveiros, quando há extração, quando comem, e aí todo fim de mês eu preparo um novo cronograma para o mês seguinte.

 

BN – E nesse tempo todo trabalhando tão intensamente com escorpiões, você já teve algum acidente, já foi picada alguma vez?

Denise - Depois de 30 anos trabalhando com os escorpiões, eu fui picada pela primeira vez em 2017, fazendo extração [de veneno]. Dava aula, explicação, falava às pessoas “a picada é muito dolorida”, mas nunca tinha vivenciado isso, até que aconteceu e olha, dói demais. Eu estava manuseando ele com a pinça, e quando o passei da pinça para a minha mão, ele se virou, escorregou e picou o meu dedão. Senti dor na hora, acabei jogando ele longe. Dói demais. Logo fui para o Hospital Vital Brasil, onde já me deram uma bolsa de água quente para aliviar a dor e realizarmos o bloqueio do veneno com um anestésico. A picada ficou dolorida por uns dois dias, mas deu tudo certo (risos). Fui picada apenas esta vez.

 

BN - O que você gosta de fazer nas horas vagas?

Denise - Bom, eu adoro animais, então me dedico muito aos que tenho. Perdi um cachorro esse ano, mas ele viveu 12 lindos anos comigo. Fora isso, também gosto muito de pintar mandalas. Tenho uma coleção de livros que eu já colori. Quando estou de férias, vou para o sítio da minha família e fico lá colorindo mandalas. Eu sou muito caseira, adoro ficar em casa com os meus bichinhos.

 

BN – Que tipos de música você gosta de ouvir?

Denise – Ouço bastante música popular brasileira, rock, pop rock. Na minha casa. Eu cresci ouvindo MPB em geral, muito Milton Nascimento e rock mais antigo também. Meu irmão gostava muito do rock na década de 70. Hoje em dia, escuto um pouquinho de tudo. Acho engraçado que acabo conhecendo várias músicas com os estagiários, eles sempre chegam com novidade.

 

BN - O que o Butantan representa para você?

Denise - É a minha segunda casa! Minha vida gira em torno disso. Eu tenho outras atividades, tenho outros ciclos, mas muitas das minhas amizades são daqui [do IB]. Basicamente tudo em minha vida envolve o Butantan. Me sinto realizada com o meu trabalho, amo ver o retorno que tenho.

 

(por Fernanda Ribeiro)