Vacina contra a tuberculose desenvolvida no Butantan ganha patente
Uma nova vacina contra a tuberculose está sendo desenvolvida pelo Instituto Butantan, órgão vinculado à Secretaria do Estado da Saúde e um dos maiores centros de pesquisa biomédicas do mundo. A novidade é uma versão incrementada da vacina BCG. A pesquisa já teve a patente aprovada nos Estados Unidos e na África do Sul e a questão já gera interesse por parte da iniciativa privada nacional e internacional. Os resultados foram publicados na revista Scientific Reports, do grupo Nature, pela equipe da Luciana Leite, diretora do Laboratório Especial de Vacina do Butantan.

A tradicional BCG, efetiva quando aplicada na infância, tem proteção limitada contra infecções pulmonares em adultos.

“Desenvolver uma vacina eficaz para a tuberculose, considerada uma doença grave, tem sido um desafio da comunidade científica internacional. O tratamento medicamentoso é longo, e precisa ser mantido mesmo depois de desaparecerem os sintomas. Muitos pacientes abandonam a medicação antes da cura, o que mantém o agente infeccioso ativo no seu organismo”, explica Luciana.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a doença atinge mais de 10 milhões de pessoas no mundo. O Brasil está entre os 30 países com maior incidência da doença.

BCG Recombinante

Os pesquisadores incluíram na BCG a proteína de outra bactéria que tem poder adjuvante – ou seja, que potencializa a vacina. Esse processo gera uma nova versão denominada BCG recombinante.

A BCG recombinante modificou a resposta do sistema imunológico em si, provocou drástica redução na quantidade do agente infeccioso, o bacilo de Koch, e a medicamentação não causou destruição do tecido pulmonar tratado. Ou seja, a vacina é efetiva contra a tuberculose sem agredir o pulmão.

Além dos pesquisadores do Butantan, o trabalho também contou com colaboração internacional com o Institut Pasteur e o Instituto Nacional de Pesquisa Agropecuária da França (INRA). No Brasil, teve ainda a participação de pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade Federal de Goiás (UFG).

A estimativa é que a nova vacina desenvolvida no Butantan possa estar disponível em até 10 anos.

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