Regimento Interno da Escola Superior de Ensino do Butantan é aprovado e representa passo importante para a implantação do projeto

Embora tenha uma longa e sólida história ligada ao Ensino, em várias vertentes, o Instituto Butantan vem trabalhando arduamente em um de seus mais novos e ousados projetos: a implantação de sua Escola Superior. A ideia é unificar, organizar e aperfeiçoar o que o Butantan já oferece hoje, validar os certificados dos alunos perante o Sistema Estadual de Educação _de forma inédita e atendendo uma antiga necessidade_, mas também ir além disso, propondo, incentivando e apoiando a criação de novos cursos. Agora no final de maio, um novo e importante passo foi dado neste sentido: a escola teve aprovado o seu Regimento Interno. O diretor da Escola, o biólogo e professor Paulo Henrique Nico Monteiro, explicou ao Butantan Notícias o caminho que o projeto tem trilhado para sair do papel e falou sobre a relevância da aprovação do Regimento Interno. Confira!

BUTANTAN NOTÍCIAS – NA PRÁTICA, POR QUE É IMPORTANTE TER AGORA APROVADO O REGIMENTO INTERNO DA ESCOLA SUPERIOR DO INSTITUTO BUTANTAN?

Paulo Monteiro – A Escola Superior do Butantan foi criada, por decreto, no final do ano passado. Isso já se constitui um marco porque institucionaliza o ensino dentro do Butantan. A partir da criação da Escola foi nomeado um Conselho de Ensino, que tem por atribuição definir as diretrizes da escola. Uma das principais atribuições do Conselho de Ensino é aprovar o Regimento Interno da Escola, que baliza e organiza todas as atividades. Na reunião realizada no dia 29 de maio, o Conselho aprovou esse regimento e, a partir de agora, a escola existe formalmente no Instituto Butantan e pode, a partir da aprovação deste regimento, tramitar junto ao Conselho Estadual de Educação para credenciar os cursos do IB no Conselho e transformar a escola numa instituição de ensino superior, o que vai nos garantir que os diplomas e os certificados aqui emitidos (pela Escola) passem a ter validade no Sistema de Ensino, para concursos públicos, ou seja, serão certificados válidos no Sistema Estadual de Educação.

 

BN – É UMA VALIDAÇÃO EQUIVALENTE À DO MEC (MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO)?

Paulo - É uma validação do Conselho Estadual de Educação. Por ser da administração direta do Estado, quem regula a escola é o Conselho Estadual de Educação e a gente precisa transformar essa escola numa Instituição de Ensino Superior, para isso a gente vai precisar encaminhar propostas de cursos de especialização e a gente já vem trabalhando nisso. Uma vez aprovadas essas propostas, a Escola passa a ser uma Instituição de Ensino Superior, ou seja, a escola passa a ser reconhecida no Sistema Educacional Brasileiro. Portanto, a aprovação do Regimento Interno é um marco importante na própria criação da escola, na própria constituição deste lugar institucional porque, a partir deste regimento, a gente vai poder sair dos muros do Butantan e a gente passará a ser visível no Sistema Educacional Brasileiro.

BN – COM ESSE PASSO, O QUE VAI MELHORAR DAQUI PRA FRENTE?

Paulo - O Butantan tem uma tradição em fornecer cursos. A gente tem cursos com duração que vai desde oito horas até 360 horas, passando ainda pelos programas de pós-graduação no nível de mestrado e doutorado, programas de pós-doutorado e alguns dos nossos cursos podem ser certificados como cursos de especialização e é nesse sentido que serve a escola. A escola vai ser o local que poderá certificar esses cursos, que já são de excelência pela nossa qualidade, mas que precisam ser validados pelo Conselho Estadual de Ensino para que possam ter validade jurídica. A partir dessa constituição da Escola, como uma Instituição de Ensino Superior, os certificados do Butantan passarão a ser válidos. Os certificados têm um valor de mercado, a gente sabe que fazer um curso no Butantan tem uma grife, mas eles ainda não são reconhecidos pelo Sistema Educacional Brasileiro. Com a constituição da Escola, com o seu regimento interno e com essa tramitação de propostas de cursos junto ao Conselho Estadual de Educação, o Butantan passará a ser também uma unidade certificadora das ações educacionais que a gente faz aqui. A Pós-Graduação, Toxinologia, o novo Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu, eles já são certificados porque tramitaram no MEC. A gente precisa agora qualificar os outros cursos que a gente faz aqui e o caminho é a constituição da Escola e este trâmite junto ao Conselho Estadual de Educação, que a gente vai conseguir fazer a partir de agora.

BN – e isso dará um peso maior para o certificado de um curso no butantan, tanto no mercado quanto na área de ensino?

Paulo – Sem dúvida. Qualifica o nosso certificado. Nosso certificado passa a ser válido tanto no mercado, quanto para concurso público, para uma proposição de ascenção nas carreiras. O aluno que sai daqui poderá ser um especialista no tema que estudou no IB, ele ainda não é [um especialista] em função de que não tínhamos uma estrutura formal dedicada ao ensino, o que será agora o papel da Escola Superior do Butantan.

BN -  DÁ PARA ADIANTAR ALGUMA COISA SOBRE COMO VAI SER A ESCOLA, ALGUMAS COISAS VOCÊS JÁ PENSARAM, SOBRE OS CURSOS, POR EXEMPLO?

Paulo – O Conselho Ensino já definiu e já foi lançada, em nível da direção, uma chamada institucional para que grupos da casa _que já tenham cursos formatados ou que tenham propostas de curso que gostariam de levar adiante_ nos encaminhem suas ideias para nossa análise. Claro, a gente tem uma expertise em saber o que é possível de ser encaminhado para o Conselho Estadual de Ensino, então cabe a Escola [de Ensino Superior do Butantan) receber essas demandas, analisar, ajudar a formatar, para que a gente possa, daqui para frente, submeter cursos regularmente ao Conselho Estadual de Ensino. A gente precisa da aprovação de um primeiro curso. Já estamos estudando algumas possibilidades, mas a escola é um lugar onde as pessoas poderão também apresentar propostas. Elas poderão dizer ‘olha, o meu grupo, a minha equipe, a minha divisão, o meu laboratório, gostaria de elaborar um curso de especialização, um curso Lato Sensu’. Por meio desta tramitação dentro da Escola [Superior do Butantan], esses cursos poderão vir a ser credenciados junto ao Conselho Estadual de Educação.

BN – O BUTANTAN TEM UMA VOCAÇÃO PARA A ÁREA DE BIOLÓGICAS, MAS ISSO NÃO IMPEDE QUE A GENTE TRANSITE PELAS ÁREAS DAS EXATAS, DAS HUMANAS?

Paulo – Os cursos da escola devem responder à missão institucional do Butantan, que é cuidar da vida, então a gente tem uma vocação na área da biomedicina, mas a gente também tem a perspectiva da montagem de um Centro de Memória, que pode num futuro distante, desenvolver cursos dessa natureza. A própria Área Cultural tem vocações para isso, a área de Inovação tem vocações para isso e, fundamentalmente, é também um objetivo da escola elaborar propostas de formação das pessoas que venham trabalhar no Butantan, seja na produção, seja na pesquisa. A gente tem gargalos na formação da produção, por exemplo, que podem, num futuro ou até A médio prazo, ser objeto de trabalho da Escola, ou seja, formar gente que venha qualificar os nossos processos internos também. Isso é uma diretriz colocada bem claramente pelo professor Dimas [Tadeu Covas, diretor do Instituto Butantan] e que o Conselho de Ensino aprova, ou seja a escola passa a ser um ente formador para resolver questões nossas, da produção, da pesquisa, dos processos e assim por diante.

BN – VOCÊ FALOU BASTANTE DOS CURSOS DE ESPECIALIZAÇÃO, A ESCOLA VAI FOCAR MAIS NESTE TIPO DE CURSO OU HAVERÁ TAMBÉM UM FOCO GRANDE EM CURSOS DE DURAÇÃO MENOR?

Paulo – A atribuição da Escola é organizar os cursos. Então, hoje gerimos os que têm duração de oito horas até os que têm duração de 40 horas, o que a gente define como cursos de Extensão Universitária. Hoje são cerca de 1.500 alunos por ano. Mas também temos os programas já constituídos de mestrado. Temos o mestrado e doutorado em Toxinologia. Temos o novo mestrado que está saindo agora, o mestrado profissional em biotecnologia, o programa de pós-doutorado, os programas de estágio e também os programas de especialização, todo esse arcabouço de informação é objeto da escola, ou seja, a escola não é só de especialização, não. Ela visa a médio e longo prazo apoiar todas essas iniciativas, tanto as que já existem, quanto as que podem ser formuladas daqui para frente. Volto a ressaltar: a aprovação de um curso no nível de especialização nos certifica junto ao CEE [Conselho Estadual de Educação], essa é uma diferença. A gente precisa ter um curso de especialização certificado para nos transformarmos numa instituição de ensino superior e aí, a partir desse credenciamento como instituição de ensino superior, todos os nossos certificados passam a ser válidos. Desde os cursos de 4 horas até os de 360 horas.

BN – IMAGINO QUE VOCÊS JÁ ESTÃO PENSANDO EM COMO SERÁ A IMPLANTAÇÃO DESSE PROJETO, QUE É OUSADO. COMO FICA A QUESTÃO DE INFRAESTRUTURA E DE MÃO DE OBRA?

Paulo – Há um projeto da Escola ser aqui no subsolo do Centro Administrativo, com um projeto arquitetônico voltado ao ensino, mas também há outras proposta, como a incorporação de alguns prédios históricos para as salas de aula. A gente ainda vem estudando, mas uma proposta muito forte é a de a Escola Superior ser aqui [no Centro Administrativo] por ter uma acesso independente para a USP [Universidade de São Paulo], entrada da Cidade Universitária, e a gente cria uma infraestrutura já dedicada à escola, não seria uma adaptação. São muitas as possibilidades, a implantação é um processo que ainda vai tomar um tempo. O que é fundamental é que a escola está oficialmente criada por um decreto do governador e pela aprovação de um regimento que valida as ações da escola tanto internamente quanto externamente. A Escola trabalha a partir de um regimento que foi consensuado no Conselho de Ensino, que é o órgão deliberativo da escola.

BN – E A MÃO DE OBRA?

Paulo – A gente já tem uma equipe que está trabalhando comigo, mas é preciso fortalecer especialmente a área da administração e da secretaria acadêmica. Os alunos precisam ser vistos como alunos do Butantan e não estarem administrativamente misturados com o RH [Recursos Humanos]. É preciso realmente criar uma estrutura acadêmica , com sistema de informação, com secretaria, com sistema de arquivo próprio da escola e fortalecer a equipe pedagógica para apoiar os pesquisadores na criação dos cursos, apoiar pedagogicamente e administrativamente e também a área de elaboração de materiais educativos, na qual já temos uma pequena equipe trabalhando e pretendemos fortalecer a equipe.

BN – PESSOALMENTE, VOCÊ JÁ ESTAVA MUITO ENTUSIASMADO COM ESSE PROJETO. VOCÊ FICOU AINDA MAIS ANIMADO COM ESSE NOVO PASSO?

Paulo – O convite foi feito a mim há mais de um ano, em março de 2018. E houve três marcos muito importantes de lá para cá: a publicação do decreto do governador no final de 2018, a publicação oficializando um Conselho de Ensino _que é um conselho oficial do Butantan, e que faz parte do IB e que é abrangente_ e especificamente a aprovação do regimento na última quarta-feira. O regimento é um marco para a escola, um marco institucional. É  a primeira vez em mais de cem anos de história que o Butantan tem uma escola oficialmente com a aprovação do decreto e com a aprovação do regimento, que regula a organização da escola. Eu estou muito entusiasmado e lisonjeado em ter sido convidado para participar desse projeto, eu espero poder contribuir bastante com a constituição dessa história e a gente vai caminhando passo a passo, mas com a certeza de que estamos indo no caminho certo.

(por Adriana Matiuzo)