Patente nos EUA e acordo com gigante farmacêutica selaram ano de sucesso para a vacina da dengue do IB
O ano de 2018 foi marcado por alguns passos importantes rumo à consolidação da vacina da dengue do Butantan no mercado. O IB conquistou uma patente importante nos EUA, e finaliza o ano com uma parceria farmacêutica poderosa que deverá agilizar a chegada da vacina ao mercado.

Em junho, o IB conquistou uma patente norte-americana, para o processo de produção da vacina que desenvolveu contra a dengue. Na avaliação dos pesquisadores e da direção do IB, a conquista garantiria visibilidade internacional ao projeto, que na época já começava a atrair parceiros de outros países interessados na tecnologia desenvolvida integralmente no Brasil. A patente foi concedida pelo Escritório Americano de Marcas e Patentes (Uspto).

Os frutos logo apareceram. Apenas seis meses depois da obtenção da patente, agora no mês de dezembro, o Butantan pôde anunciar uma parceria inédita com a gigante farmacêutica Merck & Co. Inc, conhecida fora dos EUA e do Canadá como MSD.

O acordo prevê o compartilhamento da tecnologia das vacinas contra a dengue desenvolvidas paralelamente pela MSD e pelo Butantan. Como as pesquisas do IB estavam mais adiantadas, o IB irá receber um aporte de US$ 101 milhões, além de royalties quando o produto puder ser fabricado e comercializado mundialmente. O dinheiro será reinvestido no Butantan para apoiar o desenvolvimento e a produção de novas vacinas. O IB tem patente para futuramente abastecer todo o Brasil, enquanto a MSD tem patente para fornecer a vacina para o restante do mundo.

O que é a vacina da dengue do Butantan?
A vacina desenvolvida no IB é uma grande aposta da saúde em nível mundial, visto que, ao contrário de outras vacinas, funciona contra os quatro sorotipos do vírus da dengue (1,2,3 e 4), é indicada para pessoas de 2 a 59 anos e funciona também para aqueles que não tiveram a doença anteriormente.

Em que fase a vacina está?
A vacina está na 3ª fase do estudo clínico, na qual vem sendo testada em humanos. Esta fase começou em 2016 e está sendo realizada em 14 centros de pesquisa clínica distribuídos em cinco regiões do país e envolverá 17 mil voluntários.

E qual será o próximo passo?
Assim que concluída esta fase, haverá o pedido de registro da vacina na Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). Somente após o registro oficial, ela poderá ser disponibilizada à população.

(por Adriana Matiuzo)