Inspirado no caso da pequena Bia, IB fará campanha de doação de medula óssea e precisa de voluntários

Bia, a sobrinha da bióloga do Instituto Butantan Thamara Ayala Barros De Martino, de apenas 3 anos, nasceu em 1º de Novembro de 2015. Como qualquer outra criança, costuma comemorar o aniversário apenas uma vez por ano. Mas, recentemente, a pequena que adora se vestir como a personagem Bela (da animação “A Bela e a Fera”) e que tem uma risada contagiante está ansiosa para que se cumpra uma promessa da família que tem lhe soado como algo mágico: ela vai ganhar uma 2ª data de aniversário.

Brincar com a lógica do calendário foi a forma lúdica que sua família encontrou para trazer empolgação e explicar, de forma leve, a necessidade de um transplante de medula pelo qual Bia terá de passar. Ela tem Leucemia Linfoblástica Aguda do tipo pré-b e precisa de um transplante até outubro.

A família teve o diagnóstico em 2017, por acaso, quando resolveu fazer exames de rotina na menina para uma viagem. Bia fez dois anos de tratamento com quimioterapia, chegou a ter uma pré-alta este ano (quando o paciente é liberado de medicamentos e só precisa de monitoramento por meio de exames médicos periódicos), mas teve uma recaída no mês passado.

A necessidade de achar uma medula compatível com a de Bia fez com que Thamara e toda a família começassem uma verdadeira corrida contra o tempo, compartilhando a história e tentando sensibilizar o maior número de pessoas possível para se cadastrarem como doadores de medula.

“Foi muito assustador para nós, mas decidimos vestir a camisa da coragem. É muito difícil quando a Bia nos pergunta por que todas as crianças estão em casa, por que ela está no hospital, por que ela precisa ser furada todos os dias, a todo momento. Estamos na luta, tentando encontrar doadores e tentando sensibilizar as pessoas sobre como uma simples doação de medula pode salvar a vida dela e de muitas outras crianças e adultos”, disse Thamara.

A bióloga, que trabalha no Butantan desde 2011, explica que quanto maior a compatibilidade da medula, menos chances de rejeição. Os pais da menina (o irmão de Thamara e a cunhada) têm códigos semelhantes ao de Bia, mas que não são 100% iguais. Outra possibilidade, seria que a família planejasse um irmãozinho para Bia, pois a compatibilidade costuma acontecer em até 25% dos casos entre irmãos. O problema é o tempo. O transplante só poderia acontecer com o bebê já nascido, o que levaria, no mínimo, nove meses e Bia precisa do transplante em, no máximo, três meses.

 

Laboratório se une

Thamara conta que a equipe do Laboratório Especial de Coleções Zoológicas, onde trabalha no Butantan, foi um dos primeiros lugares a apoiá-la nessa jornada. Como já havia trazido a sobrinha para visitar o IB, muitos colegas já a conheciam e se sensibilizaram com a causa, atualizando ou até fazendo seus cadastros como doadores de medula.

“Espero que ela não se lembre desse processo, da doença, quero apenas que ela saiba da história contada por nós, que ela saiba de todo mundo que a ajudou e que ela possa fazer a diferença também na vida de outras pessoas. Ela é nossa preciosidade”, acredita a bióloga.

 

Para trazer posto de cadastramento, Butantan precisa de pelo menos 200 voluntários

Sensibilizado pela história trazida por Thamara, o Butantan decidiu apoiar institucionalmente a causa e, para facilitar o cadastramento de doadores, planeja trazer ao instituto, em breve, um posto volante do Hemocentro da Santa Casa. Para que isso aconteça, no entanto, é necessário que o instituto possa contar com pelo menos 200 voluntários pré-cadastrados. O pré-cadastro de voluntários está disponível no Ambulatório e também online. O instituto também disponibilizará, próximo ao refeitório, às quartas-feiras, entre 11h e 14h, um posto para tirar dúvidas sobre o assunto com a organização da campanha.   

Qualquer pessoa que esteja com boas condições de saúde e que tenha entre 18 e 55 anos pode se cadastrar no Redome (Registro Nacional de Doadores Voluntários de Medula Óssea). Thamara lembra que o ato pode salvar a vida não apenas de Bia, mas também a de muitas outras pessoas, incluindo crianças. De acordo com ela, a ala onde Bia está internada no Hospital AC Camargo Câncer Center, por exemplo, tem desde bebês de meses até adolescentes. “É um dia da sua vida, é uma dorzinha que você vai sentir, nada mais. Isso pode salvar a vida de uma pessoa. Então, basta ter um pouquinho da coragem que essas crianças têm”.

 

Entenda como funciona a doação

Todo candidato a doador precisa ser cadastrado no Redome e ter uma amostra de sangue (10 ml) coletada, o que em São Paulo pode ser feito no Hemocentro da Santa Casa ou no Hospital São Paulo. (Caso o Instituto Butantan consiga 200 voluntários pré-cadastrados, o cadastro e a coleta poderão ser feitos aqui mesmo em breve).

Depois disso, os dados de cada doador em potencial são disponibilizados no Redome, que faz parte de uma rede internacional de doadores. Somente no caso de compatibilidade com algum paciente, o voluntário será acionado para dar andamento à doação. A doação é um processo simples feito em ambiente hospitalar e com anestesia. A coleta não é feita na medula espinhal, mas, sim, pelo sangue ou na medula óssea, que, segundo os médicos, fica no osso da bacia e é como se fosse um tutano. O doador pode ter alta até mesmo no dia seguinte. 

O transplante é um tratamento que consiste na substituição da medula doente por células de uma medula saudável que promovem uma reconstituição do tecido no paciente e permitem a ele ter uma vida normal.

Quem quiser e puder também pode procurar o AC Carmargo para doar sangue em nome de Beatriz Ayala Vieira Santos Barros. https://www.accamargo.org.br/pacientes-acompanhantes/banco-de-sangue

Saiba mais sobre a Bia, acompanhando a página criada pela família no Facebook: https://www.facebook.com/juntospelabiacontraleucemia e no Instagram: @juntospelabiacontraleucemia

Acesse aqui para fazer o pré-cadastro de doador: http://bit.ly/2YtLEdz

(por Adriana Matiuzo)