Diretor do IB coordenou tratamento inédito que conseguiu reverter câncer no HC de Ribeirão

Na última quinta-feira (10), Vamberto Luiz de Castro, de 62 anos, recebeu a notícia de sua vida. Um exame de imagem realizado no Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto constatou que o linfoma em fase terminal, que lhe dava como prognóstico apenas mais um ano de vida, tinha entrado em remissão total, ou seja, nenhum sinal de células cancerígenas foi encontrado.

 

O funcionário público aposentado, que mora em Belo Horizonte (MG), foi até a cidade no interior paulista para passar por um tratamento inédito na América Latina, realizado pelo diretor do Instituto Butantan e coordenador do Centro de Terapia Celular (CTC-Fapesp) e do Instituto Nacional de Células Tronco e Terapia Celular, Dimas Tadeu Covas, juntamente com o coordenador do Laboratório de Terapia Celular Avançada da Fundação Hemocentro de Ribeirão Preto, Renato Cunha, e uma equipe de profissionais do HC de Ribeirão, com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e do Conselho Nacional de Pesquisa (CNPq). Por não reagir a nenhum outro tratamento e estar muito debilitado, Vamberto foi selecionado para passar pela terapia experimental como último recurso, o chamado “uso compassivo”.

 

O paciente foi então incluído no protocolo de pesquisa e recebeu o novo tratamento com as chamadas células CAR-T no início do mês de setembro, permanecendo em observação no hospital. Nessa terapia, os linfócitos T (um tipo de célula do sistema imunológico) foram coletados do sangue do próprio paciente e alterados em laboratório para que reconhecessem e atacassem as células cancerígenas ou tumorais. Depois de cultivados e multiplicados, eles foram injetados de volta ao corpo dele por meio de infusão.

 

Vamberto, que mal conseguia levantar da cama, em quatro dias depois de passar pelo tratamento já não sentia mais dores, em uma semana voltou a andar e, vinte dias depois, os exames não detectaram células cancerígenas em seu organismo. O mineiro recebeu alta no último sábado (12) e deve retornar em três meses para refazer os exames. Ele só será considerado curado, de fato, se durante os próximos cinco anos não surgirem indícios de novas células cancerígenas, o que é o protocolo usual no caso desse tipo de doença.

 

Mas o diretor do Butantan está confiante que este tratamento é definitivo. “Neste momento, não há manifestação da doença, ele era cheio de nódulos linfáticos pelo corpo. Sumiram todos. Ele tinha uma dor intratável, dependia de morfina todo dia. É uma história milagrosa e com final muito feliz", afirmou Dimas.

 

 

(por Luana Paiva)