Pesquisa desvenda mecanismo chave no desenvolvimento do Trypanosoma cruzi

Estudo realizado no Instituto Butantan, órgão vinculado à Secretaria do Estado da Saúde e um dos maiores centros de pesquisa biomédicas do mundo, identificou a função de proteína chave no desenvolvimento do ciclo de vida do protozoário Trypanosoma cruzi, causador da doença de Chagas. 

O estudo mais recente, coordenado pela pesquisadora Maria Carolina Elias, encontrou uma proteína que está envolvida no processo de infecção do parasita. O inseto barbeiro (vetor da Doença de Chagas) contém o parasita Trypanosoma cruzi proliferando-se em seu intestino. Esta forma do parasita que cresce no interior do barbeiro, transforma-se na forma capaz de infectar o homem. Assim, quando o barbeiro pica uma pessoa ele deposita suas fezes, contaminadas com o parasita Trypanosoma cruzi, sobre a pele machucada. Ao atingir  a corrente sanguínea, o Trypanosoma cruzi invade os tecidos que compõem os órgãos desta pessoa. Dentro dos tecidos o parasita se prolifera desencadeando a infecção e a doença.

Este estudo, publicado na Plos Neglected Tropical Diseases, refere-se especificamente à transformação para a fase em que o parasita tem a capacidade de infectar o homem. O grupo de pesquisadores identificou entre as funções da proteína a capacidade de controlar este processo de transformação. Trata-se de uma proteína nuclear, denominada RPA. Essa informação é importante para a formulação de novos medicamentos.

O estudo do CeTiCS/FAPESP faz parte de uma linha de pesquisa do Butantan dedicada à compreensão da doença de Chagas. 

Atualmente, a Organização Mundial da Saúde estima que haja entre 6 e 7 milhões de pessoas infectadas no mundo, a maioria na América Latina. A doença é infecciosa, a fase inicial é assintomática e o parasita tem se mostrado resistente às mudanças climáticas. A transmissão, além de ocorrer através da picada do inseto que carrega o protozoário, é transmitida da gestante contaminada para o feto. Recentemente, vários casos de contaminação tiveram origem no consumo de cana e açaí moídos juntamente com os insetos.   

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